À conversa com Helena Marujo artigo

Docente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, escritora e formadora, Helena Marujo tem na Psicologia Positiva a sua principal área de investigação. O otimismo, a felicidade, nações positivas, esperança e sentido de humor são outras das suas áreas de interesse.

 

Recentemente afirmou que “O sorriso é um dom biológico que nos faz estender o coração ao Outro.” Qual é a relação direta que existe entre o sorriso e as pessoas que nos rodeiam?

Estamos biologicamente preparados para a proximidade com o Outro. Essa proximidade faz-se de muitas formas, desde a naturalidade original da empatia (visível em bebés muito pequenos, mas muitas vezes depois deteriorada pela educação e cultura), até ao uso de sinais inequívocos de simpatia, que promovem a confiança e o sentido de segurança.

O sorriso é um deles. Os nossos “neurónios em espelho” fazem-nos influenciar positivamente os outros - e ser influenciados - pela expressão de um sorriso. Em especial se ele for “verdadeiro”, ou Duchenne, como cientificamente se chama, e envolver os músculos em redor da boca, mas também dos olhos.

O sorriso aproxima. Desfaz poderes e raivas. Traz um pedaço de amor dentro, que nos relembra o melhor da nossa humanidade.

 

O otimismo é algo inato ou é possível desenvolver essa capacidade?

O otimismo tem um pouco de ambos: hereditariedade e aprendizagem. Essa é a complexidade humana e de desenvolvimentista. Mas como sabemos, o hereditário, nas áreas psicológicas,

atitudinais, é potencial, pelo que pode ou não ser ativado por experiências externas ou internas de vida.

Nesse sentido, há razões para ser otimista sobre o otimismo: é definitivamente possível aprendê-lo, potenciá-lo, aumenta‑lo, aperfeiçoá-lo. A investigação é sólida nesse sentido. Podemos aprender a pensar de forma mais otimista, a usar estratégias positivas e construtivas para lidar com os desafios da vida (como é o caso do humor, ou da narrativa interior que fazemos sobre o que nos acontece), e se juntarmos um pouco de esperança (cientificamente, são dimensões diferentes, com a esperança como sendo algo mais palpável, mais transformável,

com a vontade e autoconfiança, em objetivos concretizáveis e para os quais se podem construir caminhos) o futuro e o presente vivem-se com mais qualidade e alegria.

 

E como se “educa para o otimismo”?

Treinando as formas de pensar para que não sejam catastróficas nem desesperançadas, assumindo as responsabilidades pelo bom que somos e temos, gerindo bem as emoções, rodeando-se de pessoas inspiradoras, cuidando da linguagem (interior e da partilhada com outros na comunicação interpessoal), aumentando a autoconsciência e fazendo escolhas

positivas.

 

Uma investigação conduzida por si revelou que os jovens portugueses dos 8 aos 18 anos apresentam taxas depressivas elevadas e têm um discurso pessimista relativamente ao futuro. Considera que movimentos como o Guidismo podem contribuir para inverter este cenário?

Acredito que sim, se bem que nunca tenha estudado cientificamente essa ligação. Mas o Guidismo tem alguns ingredientes fulcrais para vidas com qualidade: relações humanas gratuitas, generosas, recíprocas (aquilo a que alguns investigadores chamam Bens Relacionais); a ligação com um propósito maior; oportunidade de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal... rituais construtivos e constitutivos... todos engrandecem a vida, tornando-a muito mais “vivível”.

 

No Guidismo, o espaço privilegiado de formação é o ar livre. Desfrutar mais da vida ao ar livre e do contacto com a natureza pode tornar-nos mais felizes?

Absolutamente. Mais uma vez, temos ciência sólida a confirmar-nos o que sentimos intuitivamente.

Os horizontes largos, a beleza que se pode apreciar, o sentimento de contacto com o primordial, o básico, o simples, o esplendoroso, o misterioso, o tranquilo... traz um bem-estar tão profundo que uma coisa tão simples como ver copas de árvores de um quarto de hospital pode ajudar na recuperação da saúde ou ter uma planta para cuidar pode levar a viver com mais longevidade.

Viver respeitosamente com o nosso habitat é definitivamente um caminho de bem-estar.

 

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